Publicações sobre Política, Ciência de Dados & Análise de Dados Sociais

Painel em Tempo Real e Analises sobre as Eleições 2018

* Pesquisa sendo realizada por Aron Bordin, aluno de BCC da Faculdade de Ciências - UNESP Bauru

Resumo

Este projeto tem como objetivo analisar o uso do Twitter durante a eleição de 2018 com Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Processamento de Linguagem Natural, monitorando candidatos, assuntos de interesse, páginas de notícias, movimentos sociais, dentre outros. Durante a coleta dos dados serão publicados relatórios analisando o uso de robôs, a propagação de fake news, a presença de discurso de ódio, comportamento dos usuários, etcs. Alguns desses relatórios serão publicados periodicamente neste blog.

Introdução

Com o advento das redes sociais, tais como o Facebook e o Twitter, ocorreu uma grande revolução nos meios de comunicação numa velocidade inédita. Enquanto o rádio precisou de 38 anos para alcançar um público de 50 milhões de pessoas e a TV levou 14 anos, a internet o fez em apenas 4 anos e as redes sociais em poucos meses após seus lançamentos (LANZA; FIDE, 2011). Esta rápida expansão pode ser entendida por diversos fatores, tais como: o menor custo ao acesso; velocidade para propagação da informação; e principalmente ao surgimento de um novo elemento denominado por Lanza e Fide (2011) como prosumidor: um usuário que é tanto produtor quanto consumidor da informação.

O prosumidor apresenta um papel importante na rede pois diferentemente dos meios de comunicação clássicos, este permite uma disseminação e produção de conteúdo em tempo real, apresenta uma linguagem mais simples e está presente em grande número. Entretanto, recentemente estas mesmas vantagens facilitaram o surgimento de disseminadores de informações falsas, as chamadas Fake News (LEITE; MATOS, 2017).

De acordo com um relatório das Nações Unidas, o Brasil era em 2015 o quarto país do mundo com maior número absoluto de usuários de internet, fincando atrás apenas do EUA, da Índia e da China. Devido o grande volume de usuários, facilidade de divulgação de informação e do baixo custo atrelado a isso, a internet se tornou um dos principais palcos atuais para a propaganda digital. As propagandas direcionadas e as propagandas disfarçadas (como as recomendações de produtos, páginas e de lugares), permitiram a divulgação de produtos, de pessoas e de eventos numa velocidade, alcance e custo surpreendentes. Com essas vantagens, as mais diversas áreas da sociedade passaram a fazer seu uso para a propaganda, inclusive a política.

Redes Sociais, Propaganda e Política 2.0

Barack Obama se tornou uma das principais referências ao ser o primeiro candidato do mundo a fazer uso da Web 2.0 como uma de suas principais ferramentas durante as eleições de 2008. Acompanhado de uma grande equipe digital, fizeram uma inédita campanha pela internet, arrecadando fundos, apresentando propostas e discutindo ideias, principalmente com o público mais jovem. Os resultados foram surpreendentes. Bateram recorde de arrecadação e uma alta simpatia com a população, alguns dos fatores que permitiu Obama vencer (LANZA; FIDE, 2011).

Após o sucesso da campanha de Obama, este modelo de propaganda se espalhou pelo mundo. A assim chamada Política 2.0 passou a ser pauta de estudo e planejamento de sociólogos, cientistas políticos e até mesmo dos partidos políticos (LANZA; FIDE, 2011).

Com os prosumidores ativos em redes sociais, os partidos buscaram novas maneiras de otimizar suas propagandas na internet. Na eleição estadunidense de 2016, dois fatores foram decisivos: o frequente uso de Fake News e o uso de Social Bots (softwares que simulam humanos em redes sociais). Estudos identificaram que cerca de 15% a 20% das discussões sobre política nesse período foram realizadas por perfis robotizados (BESSI; FERRARA, 2016; HOWARD; KOLLANYI; WOOLLEY, 2016; ENLI, 2017; RUEDIGER et al., 2017; ARNAUDO, 2017).

Os robôs estão sendo utilizados pois são maneiras fáceis de propagar fake news (devido a disseminação rápida e o anonimato), são baratos, podem alcançar grandes números e muitas vezes conseguem se passar por despercebidos nas redes, interagindo com pessoas comuns e personalidades (ARNAUDO, 2017). Para muitos autores, a solução deste problema é tão importante para o presente como a identificação de spam em email foi para o início da década de 2000 (LEE; EOFF; CAVERLEE, 2011). Outros apontam que com o avanço dos métodos de detecção, também ocorrerá concorrentemente um avanço na qualidade e na semelhança dos robôs com humanos, uma corrida semelhante a que ocorreu com a batalha contra spams (FERRARA et al., 2016).

Ameaças

Devido a desmoralização política e incertezas sobre quem serão os candidatos, acredita-se que as eleições de 2018 serão marcadas por uma alta pluralidade de políticos, surgimento de novos personagens, e uso massivo das redes como via para propaganda eleitoral e divulgação de programas. As eleições de 2014 já foram marcadas por intensos debates e oposição de ideias nas redes sociais, onde os usuários apresentam em grande volume uma posição persuasiva e não aberta a discussão (MITOZO; MASSUCHIN; CARVALHO, 2017). Em consequência das novas conjunturas da política nacional e do uso de robôs, a postura persuasiva poderá estar ainda mais presente.

Objetivo

Esse projeto tem como objetivo capturar tweets e interações dos usuários durante o ano de 2018 e realizar análises para identificar o uso das redes sociais como ferramenta política no Brasil.

Foram implementados algoritmos para identificar o uso de robôs e seus comportamentos foram analisados: interação com outros usuários e outros robôs, o que eles publicam, o que buscam impactar, etcs.

O texto dos tweets foram analisados, buscando identificar os assuntos de interesse, presença de discurso de ódio, debates online, dentre outros e assim mapear o comportamento das pessoas, de organizações e dos robôs na rede.

Utilizando técnicas avançadas de Aprendizado de Máquina, Ciência de Dados e de Processamento de Linguagem Natural, buscamos apresentar uma nova visão e perspectiva sobre o uso das redes para política.

A partir dessas e outras análises, relatórios serão produzidos. Alguns desses relatórios serão publicados nesta página, na seção “Painel das Eleições 2018”.

Painel das Eleições 2018

O Painel das Eleições 2018 pode ser acessado aqui: http://blog.aronbordin.com/painel-eleicoes-2018.html

Periodicamente novas análises serão adicionadas ao painel e outras análises serão postadas no Blog.

Caso queria acompanhar as publicações e atualizações, siga-me no twitter: @aron_bordin

Referências

  • ARNAUDO, D. Computational Propaganda in Brazil: Social Bots During Elections. [S.l.], 2017.
  • BESSI, A.; FERRARA, E. Social bots distort the 2016 us presidential election online discussion. 2016
  • ENLI, G. Twitter as arena for the authentic outsider: exploring the social media campaigns of trump and clinton in the 2016 us presidential election. European Journal of Communication, SAGE Publications Sage UK: London, England, v. 32, n. 1, p. 50–61, 2017.
  • FERRARA, E. et al. The rise of social bots. Communications of the ACM, ACM, v.59, n. 7, p. 96–104, 2016.
  • HOWARD, P. N.; KOLLANYI, B.; WOOLLEY, S. Bots and automation over twitter during the us election. Computational Propaganda Project: Working Paper Series, 2016.
  • LANZA, L.; FIDE, N. Política 2.0 y la comunicación en tiempos modernos. Cuadernos del Centro de Estudios en Diseño y Comunicación. Ensayos, SciELO Argentina, n. 35, p. 53–63, 2011.
  • LEE, K.; EOFF, B. D.; CAVERLEE, J. Seven months with the devils: A long-term study of content polluters on twitter. In: ICWSM. [S.l.: s.n.], 2011.
  • LEITE, L. R. T.; MATOS, J. C. Zumbificação da informação: a desinformação e o caos informacional. In: Anais do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação-FEBAB. [S.l.: s.n.], 2017. v. 26.
  • MITOZO, I. B.; MASSUCHIN, M. G.; CARVALHO, F. C. d. Debate político-eleitoral no facebook: os comentários do público em posts jornalísticos na eleição presidencial de 2014. Opinião Pública, SciELO Brasil, v. 23, n. 2, p. 459–484, 2017.
  • RUEDIGER, M. A. et al. Robôs, redes sociais e política no brasil: estudo sobre interferências ilegítimas no debate público na web, riscos à democracia e processo eleitoral de 2018. FGV DAPP, 2017.
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Publicado por Aron Bordin
Graduando em Ciência da Computação pela Unesp. Especialista em Ciência de Dados, Big Data, Deep Learning e Processamento de Linguagem Natural.
Interessado por política e social data science (ciência de dados sociais).
Twitter: @aron_bordin
Email: aron.bordin@gmail.com